Vultures

Outono

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Pela janela as folhas secas viajam entre os carros, arvores e pessoas. I just feel I’m in a constant battle to hide away my pain, every single day. I guess I just miss being taken care of. It seems that by myself I tend to make the wrong decisions. I’m so tired I just can’t sleep at night, I’m so sad but I just can’t cry… I don’t have enough strength for that. I’m on one of those dark moments and I have no idea how to move from it.

 

Domingo

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Domingo é sempre o pior dia. Ainda mais um domingo dia das mães. A saudade da minha família só fica maior. Que saudades dos almoços cheio de gente. Do barulho de milhões de conversas cruzadas. Da risada solta cada vez que alguém lembra um momento marcante. Daquele momento que sempre chega: ouvir pela milésima vez a mesma história sobre quando meu pai tava na segunda série. Saudades do cafézinho no final. E de nunca precisar se preocupar com pagar a conta. Saudades de andar de carro. Saudade dos abraços, aconchegos e cestas. Saudades de perspectivas. Muita saudades de quem eu amo. Me dói não poder compartilhar cada momento com eles. Cada pensamento, cada bobagem, cada loucura. Saudades de falar com alguém que entende direitinho o que eu quero dizer. Mas se a dor sempre mostra algo de bom vejo um futuro promissor. A solidão assusta, mas deve ser encarada de frente.

The Long Day is Over

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Today I just wanted the long day to be over. Today everything went wrong. I was so angry, so frustrated.

Palavras guardadas. Papéis perdidos. Dor nas costas. Dor no coração.

Todos os dias eu me pergunto se vale a pena. Todos os dias as mesmas imagens. O mesmo caminho de ida e de volta. 

Estar sozinha me faz pensar em mais coisas.  Eu me lembro quando descobri N.Jones e passava tardes deitadas na cama, com o sol do inverno gaúcho na cara ouvindo o cd no repeat. Eu lembro de pegar carona com o meu pai pra faculdade. Eu me lembro de caminhar pela cidade, sempre com trilha sonora. As lembranças mais fortes são aquelas que combinam vários sentidos. As minhas lembranças mais queridas são aquelas que eu combino imagem, som, cheiro… é só fechar os olhos que elas voltam tão rápido como se eu ainda estivesse lá. Cada mês e cada dia significava alguma coisa, e hoje eu perdi muito as minhas referências. Os significados são todos diferentes e nem sempre eu tenho com quem compartilhar tudo o que acontece comigo.

I’ve been angry lately. But now the long day is over. Tomorrow is tomorrow. Keep going. 

Estranhamento conhecido

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O corpo fala. E ela voltou. Não foram poucas as vezes em que eu me senti estranha. Como se uma semente de abacate estivessa presa entre o coração e o início do estômago. Eu já conheço essa sensação. Amanhã é meu último dia perto dos que amo, perto de uma vida tão confortável e conhecida. Hoje começei a fazer as malas e a sensação voltou. Já senti ela antes, em momentos marcantes. Volto pra um conhecido, mas num setting completamente estranho. Nova fase se inicia. Uma fase boa, diga-se de passagem. Suada e merecida. Prova da ambição, determinação e persisitência que eu sempre soube que tinha.

Mas nada apaga essa sensação tão difícil. Nem mesmo o tempo tão agradável, que me permite manter a janela aberta em um dia chuvoso de verão enquanto ouço a voz rouca de Sade no presente que ganhei quando completei 18 anos.

Deep Blue Sea

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Minha inspiração http://www.youtube.com/watch?v=oSpIWu8mn0A

Não precisa ter medo. Não fica assim, não. Tem tantos momentos lindos, que nem chegaram ainda. Se lembra das coisas simples que tu gosta tanto. O sol quente acarinhando a tua pele na janela no ônibus. As conversas sem propósito, sem porque e sem sentido. Os risos tímidos, mas soltos. O sonho de que tudo vai ser bom. A música certa na hora certa. O dormir com o coração batendo mais forte e o acordar com a sensação gostosa de um dia que promete. O fim de tarde de uma sexta-feira, esperando pelas surpresas do final de semana, um calorzinho no peito, o dever cumprido, um ciclo que se encerra. A expectativa, a motivação, a vida, tão viva. 

Tu vai sentir saudades disso tudo. Aproveita, aprende, vive, sonha e imagina. Intensamente tem mais graça. Amanhã tudo vai ser sabido. Hoje não. Viver com o desconhecido. 

Deep blue sea, baby.

 

Vivendo devagar

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Não um dia após o outro. Um minuto após o outro. Vou levando, me arrastando, empurrando, caminhando e muitas vezes correndo. Se tem uma coisa que eu aprendi é que de nada adianta planejar, porque sempre algumas coisa não vão acontecer como o esperado. Hoje eu tinha planejado ficar triste, mas com o sol lá fora não consigo.

Desculpa. Des-culpa. 

Morrendo por dentro

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Cada vez que não há luz, eu morro um pouco. Cada vez que, mais uma vez, não é possível, eu morro um pouco. Todos os dias, chuvoso e frio, ensolarado e não tão frio, eu morro um pouco. Cada distância eu morro um pouco. Cada olhar eu morro um pouco. Cada vez que eu sonho, eu morro um pouco. Cada vez que eu me lembro da minha vida, eu morro um pouco. Cada vez vou ficando menor, vou perdendo e esvaziando. E isso nunca vai viver de novo. Vou levar essa parte morta comigo, sempre. Brindo a morte, então, que nos joga o mundo real na cara.

Delicadeza

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http://www.youtube.com/watch?v=EoZmEoTPIEk

Das coisas impossíveis

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tentar se re-inventar. tem certas heranças que são eternas.

ampliação todo o tempo. algumas fronteiras tem de serem respeitadas.

olhar nos olhos. as pessoas aqui se sentem ofendidas.

imaginar a frente. sempre.

Quando a falta é grande eu tento pensar nas coisas pequenas. Nos pequenos objetos que faziam dias mais felizes. Uma vez eu passei uma tarde inteira deitada no sol, ouvindo CDs aleatórios no som que eu ganhei quando eu fiz 18 anos.

Como é que eu posso me sentir reconfortada a partir de cenas que eu nunca vivi? pessoas que eu nunca conheci e lugares que eu nunca fui?

O meu plano não era esse, mas agora estou sem plano nenhum. O que eu quero ser não vai nunca existir.

 

 

 

You should come back home

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Come down from the mountain, you have been gone to long.
The spring is upon us; follow my only song, to settle down with me by the fire of my yearning hearth.
You should come back home, beckon your own, now.

Happy Raining Day

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É verão e hoje chove. Depois de vários dias de sol e calor. Muitas vezes eu me sinto chuvosa por dentro.

Celos

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Celos é a minha música preferida do Gotan Project. Londres combina com GP porque Londres combina com tudo que a gente quiser. Hoje eu acordei com saudades. Saudades é a coisa mais cliché por aqui. Nunca se encerra.

Nem parece

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Dizer que nem parece que eu já tô aqui a 9 meses é bobagem. Não sei mais como é gosto do café que a minha mãe fazia pra mim. Me esqueci do CEP da casa do meu pai. Ao mesmo tempo as memórias mais fortes são aquelas que de certa forma estão ligadas a um sentimento. Me lembro da sensação de sexta-feira, lá pelas 17hrs, quando eu tava no colégio, lá pela oitava série. Naquela época eu precisava de muito menos, e sempre lá por volta das 17hrs da sexta-feira me batia uma felicidade enorme, estúpidamente boba e sem motivo nenhum. Talvez a perspectiva do final de semana que estava por vir? Não sei. Me lembro perfeitamente da sensação de fadiga extrema depois de um domingo de sol no campestre, quando eu tinha uns 13 anos. O caminho de volta da zona sul para o centro era longo e eu sempre dormia no carro. Se são essas as coisas que mais me dão saudades então eu tô fudida, porque essas coisas nunca mais. Hoje minha felicidade se resume a pessoas que acreditam em mim e passeios no final de semana, momentos que nos permitimos não pensar no que não tem solução a não ser o tempo.

 

Tristeza não tem fim, felicidade sim

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A coisa que mais me irrita em estar aqui é como tudo é elavado na potência máxima. Não é mais um questão de perder o controle dos sentimentos, das emoções e dos significados, é muito mais que isso. Quando isso acontecia, eu tava em casa, e isso me protegia de uma maneira indescritível. Agora eu não tô mais em casa e cada pequena coisa me afeta como se fosse uma bomba nuclear anunciando o fim do mundo. Eu não queria ser assim, mas dessa vez meu pai tá longe demais pra me lançar aquele olhar que era um misto de amor com dureza me dizendo que eu tinha que ser mais casca grossa. E aí parece que tudo desmorona muito mais fácil. Essa noite sonhei com a minha mãe, sonhei que eu tava de volta e que a gente tava se abraçando longamente e chorando muito. E quanto mais sensível eu fico, mais eu sofro, e quanto mais eu sofro mais eu me culpo por estar sofrendo por uma coisa que pode parecer banal pra tanta gente e quanto mais eu me culpo, mais eu sofro e mais eu tenho raiva de mim mesma e de tudo que eu sou, e quanto mais eu tenho raiva de mim mesma mais fraca e impotente eu me sinto.

 

 

 

Breeze

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Ela é revolta. Acorda como que explusando todo mundo. Sem dó, sem colher de chá. Ela é agressiva e doce exatamente ao mesmo tempo: primeiro te joga no chão e te esfrega na cara todas as tuas fraquezas, mas logo depois te ajuda a levantar e te surpreende com alguma coisa boa e feliz. O vento gelado é o mesmo que te faz lacrimejar e limpar a alma. Se é possível, ela é constantemente inconstante, altos x baixos, frio x calor, segurança x vulnerabilidade, forte x fraca, ódio x amor, medo x certeza. Com ela, a maioria das coisas não tem meio termo. Ela é organizada, ela acredita nas regras, mas os melhores momentos são aqueles longe das coisas certas. Ela usa as cores mais bonitas, ela acredita no amor, ela tá sempre aberta para todo mundo.

Ela sou eu, e eu sou ela. Ela é Londres.

Em 8 dias

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24

 

Preciso escrever uma carta pra quando eu fizer 30 anos. Dar pra minha mãe deixar eu abrir só no dia 28.12.2013

 

Nunca esquecer

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Que eu posso tudo que eu quero. Que não existe nada tão distante a ponto de eu desistir. Que eu tenho muita sorte com as pessoas que cruzam o meu caminho. Que tem momentos em que sim, o mundo gira a minha volta. Que um quarto pode se tornar o menor e melhor espaço do mundo. Que estar com alguém é sim se completar nas falhas. Que sempre quando eu penso nos meus obejtivos eles são uma linha reta, mas quando começo a vivê-los, eles se tornam a cobra mais cheia de curvas do mundo. E que são as curvas que fazem a vida maravilhosa. Que o inverno passa. Que cultivar amizades é ter paciência. Que eu não preciso mais falar com quem não fala comigo. Que a Gladys disse hoje que sempre que eu quiser eu posso pegar o aspirador de pó com ela, ao invés de descer até a recepção. Que é preciso gesticular menos. Que eu não preciso ficar nervosa na hora de falar com natives. Que as pessoas confiam e contam comigo.

 

Que todas as experiências vem pro bem. E eu quero viver todas. Todas.  

Resgate

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Hoje eu ouvi Annie Lennox e me lembrei de quando eu era criança e que o primeiro cd que a minha mãe comprou foi o dela. Aprendi inglês cantando I don’t wanna wait in vain for your love ou Tears in my eyes burn while I’m waiting for my love.

Hoje eu vi um filme no youtube e me lembrei como eu ia no cinema em Porto Alegre. Hoje eu finalmente entendi porque todo mundo que ta longe volta pra Porto Alegre no natal e no final do ano. E também porque todo mundo que ta lá foge.

Hoje eu entendi que crescer é muito mais do que trabalhar, ter (ou não) grana, se cuidar (ou não), amar (ou não). É ficar em silêncio. E quando o silêncio vem, tudo fica mais claro. Hoje eu pensei nas dicotomias da vida: sucesso e fracasso, amor e indiferença, saudades e nostalgia. O verão escaldante de Porto Alegre, tão amarelo, tão laranja e o inverno Londrino, tão cinza, tão marrom e tão preto.

Eu sempre tive tanta sorte com janelas. As minhas são sempre as mais bonitas. E sempre me dão respostas. Sempre. 

 

Londres,

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já te amo, ok? Agora pode começar a me tratar bem. Obrigada.

Not very proud of

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Vasculhar arquivos antigos de backup é sempre certeza de diversão garantida! Achei um trabalhinho antigo pra uma cadeira de antropologia na ufrgs:

  • Para Lévi-Strauss, o conceito de estrutura, como atividade inconsciente do espírito humano, oferece um caráter de sistema onde a modificação de um elemento gera a modificação de todos os outros, que é relacionada à noção de modelos. Por isso, conceito usado para definir estrutura social não traduz a realidade empírica, mas sim os modelos de explicação que são construídos de acordo com essa realidade. Assim, não se deve confundir estrutura social com relações sociais, pois na verdade é a existência das relações sociais que permite a construção dos modelos explicativos em que se manifestam as estruturas da sociedade. Não se deve, portanto, reduzir a estrutura social apenas a um conjunto de relações sociais que podem ser observadas numa determinada sociedade: na verdade a concepção de estrutura social se constitui muito mais num "método suscetível de ser aplicado a diversos problemas etnológicos". O que entendi de Lévi-Strauss é que ele usa o conceito de Estrutura Social para deduzir e tirar conseqüências que se reproduzem empiricamente na organização da sociedade analisada. Esta dedução é feita através do Inconsciente, onde compartilhamos coisas que ao mesmo tempo são nossas, e dos outros, condições de todas as vidas mentais de todos os homens e de todos os tempos. Portanto a Estrutura Social vai ser analisada através deste sistema de formas universais de operações lógicas pertencentes a todos os humanos e que determina as modalidades da apreensão subjetiva (por parte do etnógrafo) dos fenômenos sociais. Enfim, acredito que a principal idéia de Lévi-Strauss é que a Estrutura não está “lá” na sociedade, na é algo que o antropólogo que utiliza as técnicas adequadas pode descobrir e registrar, mas é sim uma construção feita a partir da inserção na sociedade.

     

 

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